Vale suspende operação em usinas de pelotas

05/10/12

Suspensão das atividades representa corte de 18% na produção de pelotas e reflete retração global na demanda por aço

A Vale vai suspender a produção de três de suas dez plantas de pelotização no Brasil, reduzindo o fornecimento de um produto mais caro e de maior eficiência industrial para aumentar a venda de minério de ferro mais bruto. Trata-se de um ajuste da mineradora para se adequar à demanda mais fraca por aço no mundo.

A maior produtora global de minério de ferro informou ontem que vai interromper temporariamente as operações das pelotizadoras de São Luiz, no Maranhão, e de Tubarão I e II, no Espírito Santo, em 8 de outubro e 13 de novembro, respectivamente.

“Por um lado esse corte é bom porque mostra agilidade da Vale, mas também é ruim porque expõe a fragilidade da demanda”, afirmou o analista Leonardo Alves, da J.Safra Corretora.

A interrupção das unidades representa um corte da ordem de 18,3% da produção de pelotas do total da mineradora, de acordo com dados do primeiro semestre deste ano. As unidades foram responsáveis pela produção de 4,926 milhões de toneladas métricas de pelotas durante os primeiros seis meses de 2012.

“Pelotas não estão dando boa rentabilidade e o mercado ainda é fraco”, avalia Marcelo Aguiar, analista do Goldman Sachs.

Os preços do minério caíram mais de 22% no terceiro trimestre, em sua maior queda trimestral já registrada. A redução de preços é reflexo, principalmente, do fraco desempenho da economia da China, que diminuiu a demanda por aço e, consequentemente, por sua principal matéria-prima, o minério de ferro.

A Vale passará a direcionar a produção de suas minas de ferro para a ampliação do minério sinter feed, que é mais bruto do que o pellet feed, um produto de valor agregado mais alto e com produtividade maior, disse a companhia em fato relevante.

A parcela de minério que deixará de ser processada para virar pelota será vendida agora com menos valor agregado, já que o mercado não está pagando bem por isso, avaliam os especialistas. “Se o mercado não está pagando por este valor agregado, melhor não fazer”, avalia Alves.

Em condições normais de mercado, as usinas consomem pelotas em volume mais intenso, entre outras razões, para aumentar a competitividade da produção. No entanto, com a demanda mais fraca por aço no mundo, as siderúrgicas preferem reduzir a quantidade de pelotas, mais caras que o minério em estado mais bruto, já que não há necessidade de elevar a produtividade do alto-forno, explica o consultor do setor de mineração José Mendo de Souza. “Se evidencia a retração do consumo de pelotas em favor de maior utilização de sinter feed”, informou a empresa.

Os trabalhadores das plantas paralisadas serão realocados em outras atividades da Vale, segundo a empresa. A mineradora não informou quando essas unidades voltariam a operar.

Débito A Vale e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) devem fechar um acordo em no máximo 30 dias sobre o débito de R$ 4 bilhões da mineradora cobrado pelo órgão, disse ontem o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

O impasse se deve ao pagamento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), conhecida como royalty da mineração. A Vale alega que seu débito é inferior, mas tem elevado seu provisionamento para a cobertura da dívida.

Fonte: REUTERS – O Estado de S.Paulo

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