Mão de obra sem preparo preocupa todas as indústrias

26/09/11

A falta de pessoal qualificado, um dos grandes obstáculos à produtividade de qualquer setor, tornou-se um problema agudo para os grandes projetos de mineração em implantação no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Nessas regiões, as empresas têm dificuldade de encontrar trabalhadores com um mínimo de preparo até mesmo para frequentar um curso de qualificação.

Para formar técnicos em mineração, nível que pressupõe a conclusão do ensino médio, faltam conhecimentos básicos de matemática e português. Grande parte dos candidatos não é capaz de ler e compreender um manual de uma máquina, por exemplo, ou de entender indicações de segurança. As empresas contornam essa deficiência investindo em formação básica, o que pode levar de 12 a 18 meses, até que seus futuros funcionários estejam aptos a ingressar em programas de formação profissional.

O custo adicional para nivelar os alunos e torná-los capazes de frequentar um curso técnico chega a 30% do total investido em formação de mão de obra, segundo Marcio Guerra Amorim, gerente-executivo adjunto da unidade de estudos e prospectivas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Estudo da Fundação Dom Cabral sobre carência de profissionais no país, feito em março com 130 grandes empresas de vários setores, dá a dimensão do problema: os principais desafios para a contratação na atividade de mineração são escassez de profissionais capacitados (67%) e deficiência na formação básica (56%).

O Senai, serviço especializado em educação profissional mantido pelas indústrias, oferece cursos regulares para todas as áreas da mineração, além de desenvolver programas específicos para cada projeto. As carreiras mais demandadas, segundo Amorim, são de técnicos para trabalhar em extração e beneficiamento de minerais, em planejamento e controle da produção, em máquinas de escavação e em mecânica. Há ainda grande procura por operadores nessas atividades e por mecânicos de manutenção de máquinas, cuja exigência é a conclusão do ensino fundamental. Já os engenheiros de mina e demais especializações de nível mais elevado são importados de outras regiões, especialmente do Sudeste.

“O Senai é o maior provedor de mão de obra do país, mas isso não é suficiente”, afirma Alexandre Furlan, diretor da CNI. O esforço tem de ser de todos, incluindo o governo, acrescenta. Segundo ele, o setor mineral empregou n ano passado 569.126 pessoas, 11,5% a mais do que em 2009, e as projeções para o período 2010 a 2014 são de geração de mais 102 mil postos de trabalho

“A carência de formação básica para nós é um drama. Temos de educar os jovens em disciplinas básicas”, diz Desiê Ribeiro, gerente geral de educação e desenvolvimento de pessoas da Vale. A empresa conta neste ano com 2,7 mil pessoas sendo capacitadas apenas nos níveis médio e técnico, por meio da Valer, departamento de educação criado pela empresa em 2003, com 34 unidades no país e outras no exterior. Por meio de parcerias com instituições de ensino, a Valer capacitou 69.568 empregados nos últimos cinco anos. Seus investimentos em formação de pessoal aumentaram de US$ 79 milhões, em 2010, para US$ 90 milhões neste ano.

Para contornar a escassez de engenheiros com formação para suas necessidades, a empresa criou cursos de pós-graduação nas áreas de mineração, ferrovia, porto, pelotização, navegação e projetos. Destinados a jovens engenheiros, esses cursos foram desenvolvidos em parceria com a PUC, Fundação Dom Cabral, Coppe (Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Universidade Federal de Ouro Preto e outras instituições.

Os programas de qualificação da Mineração Rio do Norte (MRN) também cobrem do básico à pós-graduação. “Temos hoje pelo menos quatro funcionários que tiveram toda sua formação, até a pós-graduação, promovida pela MRN”, diz Dienane Brandão, gerente do departamento de desenvolvimento de pessoas da empresa. Com três minas no Pará e 84% de seus 1.301 empregados provenientes do Norte do país, a MRN tem parcerias em instituições da região como o Instituto Federal do Pará para cursos técnicos. Com a Fundação Getúlio Vargas, foram implementados MBAs em gestão de projetos e finanças.

Fonte: Valor Econômico

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