Estudo aponta desafios da mineração no país

23/09/11

Falta de mão de obra e desconhecimento do solo ameaçam expansão.

A formação de mão de obra qualificada para atender à crescente demanda e o pouco conhecimento geológico do território brasileiro são os principais desafios a serem superados pela mineração nacional nos próximos anos. Apesar disso, o setor vem investindo pesado na ampliação da oferta para atender o aquecimento do consumo no mercado externo.

Os riscos para o segmento foram discutidos ontem pelo Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), na sede da entidade, em Belo Horizonte. Na ocasião, foi apresentado o relatório “Riscos Globais para a Indústria de Mineração em 2011 e 2012″, elaborado pela Ernst & Young Terco.

O estudo apresenta as dez maiores ameaças ao mercado mundial de mineração e foi elaborado levando em consideração o cenário nos principais mercados do planeta.

De acordo com o sócio da Ernst & Young, Carlos Assis, no caso do Brasil, o principal desafio hoje é a formação de mão de obra. “As mineradoras terão uma dificuldade muito grande em conseguir as pessoas necessárias para sustentar o crescimento”, alerta.

Conforme o Plano Nacional de Mineração (PNM), os investimentos do setor deverão somar R$ 230 bilhões até 2030. O volume expressivo de aportes resultará em um incremento significativo na geração de postos de trabalho.

O especialista também destaca as questões socioambientais, uma vez que ao investir nesta área as empresas podem ter um ambiente mais favorável para operar.

Na opinião do presidente do conselho da ACMinas, José Mendo Mizael de Souza, o maior e mais atual desafio para o setor no país é o pouco conhecimento geológico. “É preciso priorizar o serviço geológico brasileiro, para podermos fornecer informações com qualidade e de maior abrangência”, disse.

Estas informações servem de parâmetro para que as empresas interessadas em investir realizem as pesquisas minerárias necessárias para iniciar seus empreendimentos. De acordo com Souza, os principais países produtores já fornecem os dados abrangentes sobre os seus territórios.

O relatório apresentado pela Ernst & Young aponta como o principal risco global da mineração o nacionalismo dos recursos. De acordo com o estudo, alguns países estão aproveitando o momento para elevar taxas que incidem sobre a atividade, como forma de reverter as perdas de arrecadação após a crise financeira.

Conforme o documento, alguns países também estão elevando os impostos da mineração para conceder benefícios para os demais segmentos da indústria. As medidas são tomadas como forma de prevenir o processo de desindustrialização.

No caso do Brasil, as mudanças no marco regulatório e a elevação da alíquota da Contribuição Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) não foi considerada um risco. No entanto, a demora na definição das novas regras pode afastar o investimento estrangeiro.

O governo federal estuda elevar os royalties da mineração de uma alíquota de 2% sobre o faturamento líqüido para 4% sobre o faturamento bruto, no caso do minério de ferro. Além disso, outras alterações, como o tempo de concessão da lavra, também deverão constar nos projetos de lei (PLs) que serão enviados ao Congresso Nacional.

Outros pontos destacados no relatório foram o acesso à infraestrutura, execução do projeto de capital, volatilidade cambial e interrupções de fornecimentos causados por catástrofes naturais.

As commodities minerais são os principais produtos da pauta de exportação de Minas Gerais. O minério de ferro, primeiro do ranking, respondeu por 44,6% dos embarques entre janeiro e agosto. As vendas externas do insumo siderúrgico geraram receita de US$ 11,768 bilhões no período, ante US$ 7,238 bilhões nos primeiros oito meses de 2010, alta de 62,6%.  RAFAEL TOMAZ.

Fonte: Diário do Comércio

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